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Na bicicletada extraordinária, av. Paulista, morte da Juliana Dias (33), bióloga, cicloativista

Bicicletada 2 de março - homenagem à Juliana

2 de março de 2012, av. Paulista. Mais uma cicloativista morta estupidamente.

Foi triste estar lá, na av. Paulista reunido com uma multidão não para pedalar por prazer, mas por uma justa homenagem, mas com profundo pesar por mais esta morte – quase assassinato – estúpida que aconteceu com a Juliana Ingrid Dias, uma bióloga-pesquisadora com carreira brilhante pela frente e um desejo incontrolável de mudar o mundo, de fazer um futuro melhor porque era mais uma cicloativista nesta cidade de São Paulo, neste país tupiniquim que está acostumado a não respeitar suas regras jurídicas e viver à sombra e água fresca da IMPUNIDADE.

Mas a gente caminhou, parou aquela Paulista, debaixo de um toró incrível, um “balde de água fria” lançado por São Pedro justo na hora. Mas que nem de longe foi o bastante para arrefecer os ânimos da galera que estava ali para prestar  referência à Juliana, gritando com força e consciência:

  • EI, MOTORISTA, RESPEITE O CICLISTA!
  • MENOS CARROS, MAIS BICICLETAS!!
  • MENOS MOTOR, MAIS AMOR!!!
Abraço, galera. Bom pedal.
—————–

Acabei de fazer um post (que reproduzo aqui, abaixo), no blog muito bom do colega (http://vadebici.wordpress.com/).

A polêmica em torno da segregação ou não do ciclista tornou a rolar hoje em alguns papos que tive com amigos ciclistas enquanto aguardávamos o início da caminhada/bicicletada na Av. Paulista, na homenagem à ciclista Juliana, morta por um ônibus na mesma Paulista quase esquina com a Pamplona.

Existem prós-e-contras na minha opinião em se utilizar e incentivar as ciclovias e em se ressaltar os riscos de se usar a magrela no trânsito. Eu que já sou cicloativista faz 7 anos (mas andava de bike desde moleque nas ruas, eventualmente…) penso que a ciclovia tem, sim, o seu lado positivo e TEM que ser incentivada como política pública. Porque penso que nem todos vão ter a “coragem” (assumir o risco), nem ter a tarimba para se desvencilhar das armadilhas do nosso trânsito nada gentil, que mata mesmo – e mata muito mais pedestres e os próprios condutores de veículos. Falta educação acima de tudo. E isto não vamos conseguir virar de uma hora para outra – levará gerações, umas 2 ou 3. E é aí que entra a ciclovia e mesmo a ciclofaixa, porque serve como “porta de entrada” para os menos experientes, os menos dotados. Os mais velhos, os adolescentes, qualquer um que não queira dividir a rua com os motorizados. O risco diminui, sem dúvida. Eu já pedalei bastante em ciclovia e isso é evidente, sem discussão.

Mas o outro lado, que não pode ser esquecido, tem que ser debatido, é que só ciclovias não bastam. Elas demoram a ser construídas, a atingir uma malha que se estenda a todos os bairros das cidades e pode-se mesmo dizer que em determinados locais jamais poderão ser implantadas, seja pela condição geográfica, seja pela econômica. É impossível ter uma ciclovia/faixa em cada rua, avenida de sua cidade. Daí que entra a conscientização do motorista, a idéia do traffic calming e a devida punição para quem viola a legislação do CTB. Ruas também são locais para as bicicletas por serem veículos regulamentados a utilizá-las. Há inúmeros ciclistas que têm mais “coragem” (repara que eu uso sempre este termo entre aspas, porque é discutível o que ele significa para mim, para você…), têm experiência ou mesmo a necessidade de usá-las. Não podemos nos resignar aos trajetos de ciclovia, a não “incomodar” os motorizados pela nossa velocidade mais baixa, pelo nosso “elo fraco” como alguém mencionou [no blog ‘vadebici’]. Somos cidadãos, temos o direito de circular, só temos que ser respeitados e nos fazer respeitar pela atitude não de “guerreiros” ou “heróis” (que um dia vão morrer). Não se trata de ser covarde ou valentão. Para a maioria da sociedade é mais fácil colocar nestes termos, simples assim:
“- Sai pra lá ciclista, aqui é meu lugar, cheguei primeiro.”

Se a política pública fosse (o que eu desconfio que não seja) promover o uso da bicicleta como alternativa de mobilidade tudo mudaria. O motorista nos veria com outros “olhos” (não seria cego ou nós invisíveis a ele) porque saberia o que aconteceria se desrespeitasse as regras do “jogo” (= trânsito). A discussão se dá em um nível mais profundo. É econômico-financeiro. A quem interessam as mortes no trânsito, o aumento do número de veículos motorizados nas ruas, os intermináveis congestionamentos??? Quem, de fato, deseja que isso diminua?

Termos um pensamento coletivo em prol do bem comum da sociedade. Esse é o ponto.

http://vadebici.wordpress.com/2012/03/01/ignorando-o-touro-versao-band/#comment-13591

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March 2, 2012 - Posted by | Bike | , , ,

2 Comments »

  1. O que ninguém divulga é que existe um projeto de mais de 142 km em SP de 2008 e as pessoas de SP estão denunciando ao Ministério Público a Prefeitura por responsabilidade das mortes na Avenida Paulista ocorridas entre 2009 e 2012 – mais detalhes aqui: https://ciclovianapaulista.wordpress.com/

    Comment by gabrielbici | March 22, 2012 | Reply

    • Ja estou divulgando… Vamos fazer pressao!!!! Alguma coisa tem que ser feita para melhorarmos a ligacao com um dos locais mais populosos da Capital.

      Comment by svicente99 | March 23, 2012 | Reply


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