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Como roubaram minha bike Willier no meio da estrada…

Olá amigas e amigos.

O que eu tenho para relatar agora não é daquelas coisas agradáveis que geralmente gostamos de postar para os outros lerem e se deliciarem ou curtirem com nossas aventuras. Mas precisa ser dito, para alertar outros colegas do esporte ou mesmo para reflexão de quem pudesse estar em alguma situação parecida.

Dia 02-maio-2015, pedalava pela rodovia SP-070 (que para quem conhece o estado é a rodovia Ayrton Senna, que depois muda de nome para Carvalho Pinto) na direção Leste, ou seja, da Capital para o Interior – termina em Taubaté. Eu já havia percorrido exatos 76km desde minha saída do Centro, tinha passado a divisa entre Guararema e Jacareí – km 71. Passava das 10:40:

SP_070_km71

Quando no alto de uma subida, pouco antes de chegar no trevo onde começa a Rodovia Dom Pedro I, e logo vinha uma curva pra direita, me surge “meio que do nada” um sujeito alto, forte, trajando um blusão preto, meio com “cara de segurança”; a princípio, ele caminha rápido em minha direção, mas percebo um ar estranho e tento desviar dele, quando grita “- Encosta!” E já saca uma pistola em minha direção. Tudo muito rápido, por um triz ainda penso em tentar escapar, mas no final da subida minha pedalada já não estava tão forte assim. Preferi não reagir e dar “sopa para o azar (maior)”. Prevaleceu o instinto de sobrevivência.

O local exato...

O local exato…

Logo ele “pede” (ou manda…) que eu desça e deixe a bike de lado; faz menção primeiro que eu deite no chão [pensei… aff!…] e na sequência exige que eu desça um pequeno barranco onde no final tem um duto de águas pluviais – sempre com a arma apontada nas minhas costas. Ali já sem os olhares de quem passava na rodovia, começa a me fazer perguntas, para onde eu ia, de onde era, o que fazia… Então, me faz entrar dentro deste duto, enquanto revista minha mochila e olha a bicicleta. Por fim, pede o celular (que estava no meu bolso) e o capacete (ainda na cabeça). Avisa que é para eu não sair por 10 minutos, enquanto aguardaria um carro de seu apoio que iria levar a bike. Entre as perguntas, me fez acho que umas 3x se iria mesmo para Aparecida e pagaria alguma promessa. Eu disse que sim, mantendo-me o mais calmo possível na situação. Pareceu-me que ele tinha alguma indecisão, talvez eu me deixar vivo ou não, para contar essa estória. Revistando meus documentos deve ter visto o cartão da N.Sra. Aparecida que sempre carrego e após fazer uma ligação, largou minha mochila com tudo que havia dentro – alguma comida, barras, um mix para beber, uma muda de roupa, uma lanterna-farol.

Subiu “só mesmo” com a bike, o MotoG, o capacete Giro, a câmera de guidão PowerPack Pro, o GPS Garmin Edge 810 e a Willier GTR Colombia Ultegra. Uma bike Speed (road) que havia adquirido tinha uns 5 meses para melhorar minha performance e poder disputar as provas de Audax com mais conforto e disposição. Pra quem não conhece (o que é Audax), são trechos duríssimos de cerca de 200km, 300, até mais. Eu me contentaria em fazer uma prova bem de 200K, acho que não iria mais além disso. E justamente naquele sábado, meio de feriado prolongado do Primeiro de Maio, era minha intenção, novamente me aproximar dos 200km (seriam 195 ao todo até Aparecida).

E eu vinha bem, muito até para minha opinião pessoal, pelo fato de não haver treinado tanto nos dias que antecedram. Já estava subindo a média para 25 por hora. Passava um pouco das 10:40 quando ele me abordou. Na última hora, pelo GPS tinha feito 27 por hora. Só no início na saída da cidade, não deu para desenvolver muito, em razão do péssimo piso da ciclovia da Radial Leste e da atenção também com os carros e, até o medo de passar em alguns trechos. Mal sabia eu que o pior estaria por vir…

Não deu uns 5 minutos eu ali naquele “buraco” (me sentindo quase um “Bin Laden”, mas rezando minhas Aves-Marias) e escuto o ronco de veículo que para e logo arranca. Lá se ia o investimento realizado no esporte, fruto de alguns anos de trabalho honesto, nas mãos de alguém se acha no direito de simplesmente tomar a coisa alheia em benefício próprio, porque tem uma arma na mão para lhe intimidar, lhe humilhar e submeter aos seus “caprichos” de marginalidade.

Este é o retrato já alguns anos do País que estaremos deixando para nossos filhos – abandonado à própria sorte. Em um desgoverno, num Estado que desassiste à sociedade e nos condena a ser resignados com o pouco que podemos viver.

“- Não faz aquilo, cara! Não vai sair por aí… Não compre isso, pode chamar a atenção.” E vamos nos conformando em viver presos nesta pseudodemocracia, enquanto eles, os desonestos, os não cidadãos ou homens de bens, sejam armados de pistola, sejam os que vivem às custas das maracutaias palacianas permanecem livres e soltos nas ruas, com tornozeleiras ou mandados de prisão expedidos.

Dá para imaginar algo assim? É o país de nome Brasil.

Eu e todos os caras de bem é que estamos errados? Não. Estamos é Ferrados.

É duro ter que rememorar estes fatos. Poderia até contar também como saí dali, como cheguei a DEPOL de Guararema onde prestei queixa e lavrei o B.O. mas prefiro não me estender e só agradecer a Deus e Nossa Senhora mais uma vez por estar VIVO, ter escapado novamente da mira de uma arma de fogo. Esta sem dúvida, a grande vitória, tirando a perda material que o seguro vai cobrir em parte. Mas a perda que não há seguro algum no mundo que pague é a perda que ficou no fundo da alma, de renegar seus desejos íntimos de ter liberdade para ser um desportista mesmo que amador. De ter um prazer que não agride a ninguém. De possuir algo que foi conquistado unicamente com o suor de seu trabalho (e aqui eu abro um parênteses, para quem convive mais de perto comigo, sabe o que eu tô falando… A gente sua mesmo!!… determinadas épocas deste verão para conseguir trabalhar, rs…rs…)

Este foi o trajeto registrado pelo aplicativo "Phone Tracker" no meu tablet que demonstra os 76 km percorridos desde a saída em Sampa até o desfecho sinistro já chegando em Jacareí. Até agora o celular que também foi roubado está desligado...

Este foi o trajeto registrado pelo aplicativo “Phone Tracker” no meu tablet que demonstra os 76 km percorridos desde a saída em Sampa até o desfecho sinistro já chegando em Jacareí. Até agora o celular que também foi roubado está desligado…

Bom, fica a ilustração do percurso que eu fiz e onde se encerrou o último trajeto da Willier. O registro foi possível usando o app “Phone Tracker” que conectava as 2 linhas de celular que eu tenho (ou tinha…).

E também das fotos dela, que viraram memória. Pra quem quiser saber, é uma bici de ótimo desempenho, praticamente te leva, só depende das suas pernas mesmo. [Visite o site da marca] Mas isso agora é passado.


Picasa com as fotos da bike esportiva (estrada) Willier GTR Colombia Ultegra 22 – 2014 (clique na foto). Se alguém ali próximo da região a vir, pode contar que é a minha. Devem ter pouquíssimas por aí. Ainda mais com este quadro XS (tam.48). Ou quem sabe **vendendo** por aí nos ML ou OLX da vida.

Ainda tô meio desorientado, a gente fica sem chão, quando ocorre um troço assim. Como quando sumiram com a minha MTB Kona lá em León (quem quiser saber, leia o post…); talvez até tenha sofrido mais naquela vez do que agora, porque a primeira pancada sempre dói mais. Só que passar de novo…. ugh! Never more. Bike top, véio, chega. Pode ficar.

—-

Algum(a) poeta que não consegui descobrir o nome, ainda, disse bem assim:

A salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena.

 

 

May 4, 2015 - Posted by | Bike, Life in general | , , , , , , , , , ,

8 Comments »

  1. Oi Vicente.

    Que merda. Já ouvi relatos de assaltos assim lá na região de são josé dos campos, mais precisamente na tamoios indo para SJC. Em Guararema, para mim, é novidade.

    Fico triste quando isso ocorre pois é um desestímulo à vítima do assalto e também ao demais ciclistas.

    Ainda bem que ele não te fez nada de mal. Só estava interessado na bicicleta e demais equipamentos.

    vou fazer o possível para divulgar o roubo da bicicleta.

    Para saber. Isso foi quando?

    Comment by rdmeneze | May 5, 2015 | Reply

    • Valeu, Menezes, pela força. Foi exatamente em 02-MAIO-15 10:42.

      Se puder divulgar, blz. Não acredito que quem compre este “produto de roubo” seja do nosso meio, ciclista de boa. Rola uma consciência de que isto não leva a nada, só piora como vc disse.

      O policial que me socorreu no local disse que ali em 7 anos de trabalho na rodovia era a primeira vez que ele atendia alguém numa situação como a minha. E que dava muito roubo próximo de Guarulhos e Itaquaquecetuba (numa subida que tem do posto BR). Enfim tem que ficar “esperto” pra tudo.

      Comment by svicente99 | May 5, 2015 | Reply

      • essa de Itaquaquecetuba é clássica. É a famosa subida dos pimentas.

        Bom, espero que tenhamos sucesso em resolver isso…

        Comment by rdmeneze | May 5, 2015

  2. Fala Serjão….

    ontem mesmo conversava com a patroinha…. pô este negócio de dizer que ter o maior tiroteio e ninguém saiu ferido, tem que ser revisto!!! pq, onde fica o “ferimento” psíquico??? ou pior ainda como vc fala, como contabilizar/curar um ferimento na alma?

    já estou te escrevendo um email….

    espero que a solidariedade de seus colegas/amigos/familiares e de Nossa Senhora Aparecida, consigam cicratizar este rombo n`alma o mais rápido possível e que vc volte logo pro pedal…. te acompanho e sei como as magrelas são importantes pra vc…

    J.Pires

    Comment by eu | May 5, 2015 | Reply

    • Vlw, brother do pedal. Amigos e palavras assim animam a gente a seguir na luta. Pq o Mal não pode derrotar seus ideais mais básicos de vida. A forma muda, a essência da alma permanece.
      Abç

      Comment by svicente99 | May 5, 2015 | Reply

  3. Ai Sr. Sérgio…

    …sempre acompanho anonimamente seu blog…
    amei ver as fotos de sua viagem pelo Paraguai… durante o passeio ciclístico do Circuito Pedalar BB tentei achá-lo visualmente, mas não consegui… fiquei extremamente surpreso ao ler esse relato de roubo de bicicleta e equipamentos… algo totalmente desmotivador até certo ponto… também já tive bicicleta roubada em 2011… e sei exatamente qual sentimento de perda está tendo… quando fui pedalando para Aparecida-SP cumprir uma promessa por causa do nascimento da minha filha em 2013 pedalei por esses locais que mencionou no relato tanto na ida (ABC >>> Aparecida-SP) quanto na volta… imagino quantas e quantas vezes pedalamos por locais perigosos e passamos livres de assaltos por sorte/inocência.. e estatisticamente como pedalamos periodicamente com certeza a possibilidade de assaltos/roubos sobe consideravelmente… mas como lidar com isso é uma pergunta que me faço até hoje?

    cicloabraços – joaozinho (Santo André-SP)

    Comment by joaozinho menininho | May 11, 2015 | Reply

    • “Menininho”, obrigado por me seguir, é sempre um prazer poder transmitir minhas experiências ciclísticas q no fundo no fundo são também as experiências da vida. Nem sempre tão lindas, alegres e com bonitas fotos – padrão facebook. A realidade é muito diferente do que as pessoas acreditam ser o que está em algumas redes (“nada contra”, rs…rs..).

      O lance é ter mais cuidados, se puder arrumar um bom companheiro de pedal, no seu ritmo, disposto a encarar os desafios, fica melhor. No momento tô sem esta possibilidade. A sua pergunta é a mesma que a minha – já era antes, muito mais agora. Estatisticamente falando quanto mais saídas de pedal fizer aumentam suas probabilidades de riscos e eventos maus acontecerem. E pode ser tanto nas grandes cidades como no interior. Basta dar uma olhadinha no Cadastro Nacional das Bicis Roubadas. Inclusive acho que bem nos centros urbanos a chance é maior apesar de ter acontecido comigo fora de Rio-SP. Tem mt mais ladrões e mais ciclistas rodando nas grandes cidades. O pior talvez no interior é que por estar em algum ponto mais ermo pra te socorrerem ou avistarem quem praticou o mal seja difícill

      Escolher bem o roteiro e se informar antes como está a situação por ali é uma possibilidade de mitigar riscos.
      Boa sorte aí, quem sabe a gente se cruza ou pedala qq hora. Abçs.

      Comment by svicente99 | May 15, 2015 | Reply

  4. Quero aqui fazer o registro público do ressarcimento do prejuízo material referente a esta inesquecível Bike. Sim Bike com “B” maiúsculo. A melhor que eu tive. A Kalassa Seguros, na figura do Rafael, após a verificação processual da ocorrência pagou o valor segurado, descontados os 10% da franquia. Assim, está minimizada a perda, o que eu só posso recomendar a todos que decidirem **investir** em boas bicicletas.

    Neste país em que o Estado não consegue garantir a nossa segurança como cidadãos, pagadores dos impostos, cumpridores dos deveres e sem os direitos integralmente assegurados, recorrer à iniciativa privada das seguradoras ainda resta sendo uma boa saída. Fazer o quê, né?

    Vai aqui o site da Kalassa para quem quiser conhecer melhor esta opção: http://www.kalassa.com.br/?intSecao=73&intConteudo=156/

    Comment by svicente99 | June 24, 2015 | Reply


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